Desde o início do ano legislativo, um grupo de quatro vereadores de Araçariguama vem se destacando por adotar um posicionamento mais firme, público e recorrente de cobranças ao Poder Executivo. As falas, que começaram na primeira sessão do ano, ganharam força na segunda sessão ordinária e revelam um cenário de insatisfação crescente — tanto dentro da Câmara quanto nas ruas da cidade.

Os vereadores Baixinho, Zé Renato, Nina Lima e Helton da Van passaram a ecoar, na tribuna, reclamações que dizem ouvir diariamente da população. As críticas convergem para um mesmo ponto: a sensação de abandono do básico, da manutenção do dia a dia da cidade.

Na primeira sessão, Baixinho resumiu o sentimento ao afirmar que “a saúde está doente”, cobrando mais atenção da gestão municipal. Já o vereador Zé Renato chamou atenção para problemas de zeladoria e situações consideradas absurdas, como ambulâncias fora de operação por defeitos simples, a exemplo de maçanetas e dobradiças, o que impacta diretamente o atendimento à população.

A vereadora Nina Lima também trouxe à pauta falhas graves na saúde, citando a ausência de exames essenciais, como o ultrassom no pronto-socorro, além de relatar problemas sérios no transporte público municipal. Apesar de gratuito, o serviço tem sido alvo de críticas pelo estado precário dos ônibus, classificados por moradores como sucateados. Um dos relatos mais preocupantes mencionados foi o de um ônibus que teria perdido o freio, precisando entrar na mata para conseguir parar — um episódio que levanta questionamentos sobre a segurança dos usuários.

Na sessão de hoje 10/02/2026, as cobranças se repetiram e se aprofundaram. Baixinho voltou à tribuna para falar sobre ruas sem manutenção, relatando o caso de uma criança que escorregou na lama após fortes chuvas, consequência direta da falta de infraestrutura adequada.

Zé Renato, por sua vez, adotou um tom misto: agradeceu ao Executivo por providências tomadas após apontamentos feitos na sessão anterior, como o retorno de máquinas que estavam paradas, mas reforçou que os problemas estruturais e de manutenção persistem. Em uma fala simbólica, afirmou que “quem ama, cuida” — e deixou claro que, na visão dele, a cidade onde vive não está sendo cuidada.

O vereador Helton ampliou o debate ao destacar a ausência da farmácia 24 horas, serviço que já existiu no município e hoje não funciona mais, além de relatar denúncias de pais sobre escolas municipais solicitando, via grupos de WhatsApp, que famílias comprem material escolar. Uma prática que contraria o dever constitucional do poder público de fornecer uniforme e material escolar aos alunos da rede municipal.

Mas o momento mais sensível da sessão veio ao final, em uma fala preocupante do vereador Zé Renato. Ele afirmou temer o retorno de práticas da chamada “velha política”, citando ações de retaliação contra vereadores ou pessoas que discordam da atual gestão. O parlamentar foi direto ao dizer que tem medo pela própria segurança e pela de sua família, um alerta grave que ultrapassa o debate administrativo e entra no campo democrático e institucional.

Diante desse cenário, começa a se desenhar na Câmara um novo eixo de atuação política. Seja chamado de “Quarteto da Mudança”, “Quarteto da Fiscalização” ou até, de forma simbólica, “Quarteto Fantástico”, o fato é que esses quatro vereadores têm assumido o papel de vocalizar insatisfações que vão além de grandes obras e projetos estruturais.

O que está em debate é o básico: recapeamento, tapa-buracos, roçagem de mato, manutenção de escolas, funcionamento da saúde, transporte seguro e serviços essenciais funcionando.

A reflexão que fica para a população é clara: enquanto se discute o futuro e obras de grande porte, o presente parece esquecido. E quando vereadores afirmam ter medo por exercer o papel de fiscalizar, o sinal de alerta precisa ser ainda maior.

Araçariguama vive um momento em que a Câmara começa a tensionar o Executivo de forma mais direta. Cabe agora à gestão responder não apenas com discursos, mas com ações concretas — e à população, acompanhar, refletir e cobrar.

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