A sessão da Câmara Municipal de Araçariguama realizada nesta terça-feira (28) foi marcada por tensão, protestos e forte mobilização popular após a leitura, em plenário, de uma denúncia envolvendo o suposto desvio de ovos de Páscoa doados por uma empresa privada ao município.

A denúncia, apresentada pelo ex-prefeito Aymar, foi colocada em votação para recebimento, mas acabou rejeitada pela maioria dos vereadores. Apenas três parlamentares — Nina, Zé Renato e Helton da Van — votaram favoravelmente à continuidade do caso, conforme registrado no placar eletrônico da Casa.

Durante a sessão, o vereador Zé Renato utilizou a tribuna para protocolar um requerimento solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. No entanto, a iniciativa não avançou, já que os demais vereadores se recusaram a assinar o pedido.

A população compareceu em peso à Câmara, atendendo ao chamado de parlamentares da oposição. O clima foi de indignação, com vaias, manifestações e pressão direta sobre os vereadores. Apesar disso, o presidente da Casa, Paulo Volcov, e os vereadores da base governista mantiveram suas posições e não cederam às cobranças populares.

O episódio intensificou o descontentamento de moradores, que vêm criticando a atual gestão municipal por uma série de problemas apontados na cidade. Entre as reclamações estão o descarte irregular de resíduos nos PEVs, falta de medicamentos nas unidades de saúde, relatos de alimentos estragados sendo servidos, ausência de material escolar e uniformes, além da própria denúncia envolvendo os ovos de Páscoa.

Outro ponto de destaque durante a sessão foi o questionamento feito pela vereadora Nina sobre a situação da unidade de saúde da Terra Baixa. Segundo relatos, o local passou por reforma recente, mas apresentou problemas estruturais poucos dias após a reinauguração, com danos no piso.

Em resposta, o presidente da Câmara afirmou que o piso não havia sido substituído e que se tratava de uma estrutura antiga. A explicação, no entanto, gerou ainda mais críticas e levantou dúvidas sobre a qualidade das reformas realizadas no município.

Para a vereadora, o caso evidencia falhas no planejamento e na fiscalização das obras públicas. “Uma unidade reinaugurada já apresenta problemas em menos de uma semana. Isso mostra que algo não está sendo feito da forma correta”, destacou.

Diante do cenário, a população segue atenta aos desdobramentos e cobra mais transparência e responsabilidade dos representantes eleitos. A pressão popular deve continuar nos próximos dias, enquanto cresce a expectativa por possíveis novas movimentações em torno da investigação.

Há também o alerta de que, diante de eventuais omissões frente a indícios de irregularidades, parlamentares podem ser responsabilizados judicialmente por prevaricação.

O caso segue repercutindo na cidade e deve permanecer no centro do debate político local.

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