A sessão desta terça-feira na Câmara Municipal foi marcada por duras cobranças ao governo municipal vindas justamente de vereadores da base aliada, evidenciando o desgaste crescente da administração diante dos problemas enfrentados pela população, principalmente nas áreas de zeladoria e infraestrutura.
O vereador Baixinho subiu o tom ao criticar a situação das estradas e a atuação da Secretaria de Obras, citando nominalmente o secretário Marinaldo de Deus. Segundo ele, não é aceitável que máquinas realizem serviços nas vias sem que haja a complementação adequada com pedras e compactação do solo.
Durante sua fala, o parlamentar destacou que diversos bairros, entre eles o Ibaté, voltaram a sofrer com lama e dificuldades de acesso após as fortes chuvas da última semana. A situação, segundo ele, tem prejudicado diretamente a rotina da população, afetando até mesmo o transporte escolar.
“Os ônibus não conseguem transitar. Crianças estão sem conseguir ir para a escola e a população está sendo cerceada do direito de ir e vir”, criticou o vereador em plenário.
Quem também reforçou as cobranças foi o vereador Celso, que pediu aparte e afirmou que, apesar de a Secretaria de Obras ser uma das mais demandadas da administração, é necessário apresentar resultados concretos.
Celso salientou que, em períodos sem chuva, os veículos conseguem trafegar normalmente, mas basta chover para que as vias se tornem praticamente intransitáveis, principalmente após a passagem das máquinas sem a finalização adequada do serviço.
“Nós somos o para-choque da população, e as reclamações são verídicas”, afirmou o parlamentar, reconhecendo o volume crescente de queixas recebidas pelos vereadores.
As manifestações chamaram atenção por partirem de vereadores que integram a base governista e acabaram reforçando críticas que já vinham sendo feitas há semanas pelos vereadores Helton da Van, Nina e Zé Renato.
O cenário evidencia que os problemas enfrentados pela cidade ultrapassam o discurso de “politicagem” frequentemente utilizado pelo governo nas redes sociais para rebater críticas da oposição. Agora, os apontamentos vêm também de dentro da própria base, mostrando que a insatisfação já não consegue mais ser abafada.
Nos bastidores, cresce a percepção de que vereadores governistas começam a se distanciar do desgaste do Executivo, diante da pressão popular e da sequência de falhas em áreas essenciais da administração.
Enquanto a população segue enfrentando lama, dificuldades de mobilidade e precariedade nos serviços básicos, o clima político na cidade parece indicar que o desgaste do governo já chegou ao seu próprio grupo de sustentação.

