A sessão da Câmara Municipal de Araçariguama desta terça-feira (6) terminou com uma reviravolta que movimentou os bastidores da política local. O que chamou a atenção não foi apenas a eleição da nova Mesa Diretora, mas principalmente a convocação de uma sessão extraordinária, anunciada após o encerramento da sessão ordinária, para tratar da eleição que definirá o comando do Legislativo no biênio 2027/2028.
A convocação de última hora gerou insatisfação entre vereadores que alegaram não ter sido previamente informados sobre a realização da votação. Segundo o posicionamento manifestado por esses parlamentares, uma decisão que envolve a escolha da Presidência e da Mesa Diretora da Câmara deveria ser tratada com cautela, transparência e antecedência, considerando a importância do cargo e os impactos que a condução do Legislativo pode ter sobre o município.
Diante da forma como a sessão extraordinária foi convocada, José Renato Bonifácio, Helton da Van, Iriana Nina e Lili Aymar não retornaram ao plenário para participar da votação. A ausência foi apresentada como uma forma de protesto diante da maneira como o processo foi conduzido.
CHAPA ÚNICA
Durante o intervalo destinado à inscrição das chapas, apenas uma composição foi apresentada: a Chapa “Lealdade e Compromisso”, tendo novamente o atual presidente da Câmara, Paulo Volcov, como candidato à Presidência para o próximo biênio.
Com a ausência dos quatro vereadores, a chapa única foi submetida à votação entre os parlamentares que permaneceram no plenário e acabou aprovada, garantindo a continuidade de Paulo Volcov na Presidência da Casa para 2027 e 2028.
O QUESTIONAMENTO QUE FICA
Mais do que o resultado da eleição, o episódio coloca em discussão a forma como decisões importantes do Legislativo são conduzidas e comunicadas aos próprios vereadores.
A eleição da Mesa Diretora não é uma votação comum. É ela que define quem estará à frente da Câmara pelos dois anos seguintes, conduzindo as sessões, organizando os trabalhos legislativos e exercendo papel institucional na relação entre o Legislativo e o Poder Executivo.
Por isso, a ausência dos quatro vereadores durante a votação transforma o episódio em um fato político que merece ser acompanhado.
Se uma eleição dessa importância acontece em uma sessão extraordinária convocada de última hora, sem que todos os vereadores se sintam devidamente informados e representados no processo, fica a pergunta: houve diálogo suficiente entre os parlamentares antes da decisão?
O episódio também abre outro debate para Araçariguama: a continuidade da atual Presidência representará apenas a manutenção da estrutura administrativa da Câmara ou haverá mudanças na forma de atuação do Legislativo, especialmente na fiscalização e nas cobranças ao Poder Executivo?
São questões que deverão ser respondidas não apenas pela composição da Mesa, mas pelas ações da Câmara ao longo dos próximos dois anos.
O Aqui no Radar acompanha os acontecimentos da política de Araçariguama e mantém espaço aberto para que os vereadores envolvidos, a Presidência da Câmara e o Poder Executivo apresentem seus posicionamentos e esclarecimentos.
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